Pós-Graduação em Estudos da Tradução Av. da Universidade, 2683. Prédio do Letras Noturno, Térreo – Fone: (85)3366-7912
INSCRIÇÕES no SITE DO EVENTO:
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
CENTRO DE HUMANIDADES
POET - PÓS-GRADUAÇÃO EM ESTUDOS DA TRADUÇÃO
CASA GUILHERME DE ALMEIDA
CENTRO DE ESTUDOS DE TRADUÇÃO LITERÁRIA
SECRETARIA DA CULTURA DO GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO
I COLÓQUIO POESIA E TRADUÇÃO
Auditório José Albano, Área I do Centro de Humanidades
Av. da Universidade, 2683 - Benfica, CEP 60020-181, Fortaleza, CE
25-26/06/15
09:00
Mesa: Vládia
Maria Cabral Borges (Diretora do Centro de Humanidades), Cícero
Anastácio Araújo de Miranda (Chefe do Departamento de Letras
Estrangeiras), Luana Ferreira de Freitas (coordenadora da POET)
Coordenação: Yuri Brunello (UFC)
09:30
Conferência de abertura
Gabriela Reinaldo (UFC): “Viver é encargo de pouco proveito e muito desempenho – sobre tradução e linguagem em Vilém Flusser e João Guimarães Rosa”
Coordenação: Ana Maria César Pompeu (UFC)
Gabriela Reinaldo é doutora
em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica de São
Paulo (2002), é professora adjunta do Instituto de Cultura e Arte (ICA)
da Universidade Federal do Ceará (UFC) e coordena três projetos de
pesquisa: “O olhar naturalista e o seu legado para a ciência e para a
ficção” (Universidade de Cambridge - UK, estágio pós-doutoral de agosto
de 2013 a agosto de 2014); “Tradução Intersemiótica: a relação palavra e imagem” e “A Tradução em Vilém Flusser”.
Tem experiência na área de Semiótica, com ênfase em Comunicação Social e
Artes, atuando principalmente nos seguintes temas: Semiótica peirceana, Semiótica da Cultura, Mito, Tradução Intersemiótica e entre culturas, Literatura, Vilém Flusser e João Guimarães Rosa.
Resumo. Em “Retradução como método de trabalho”, Vilém Flusser
justifica a sua própria existência a partir de suas experiências com a
língua: “Nasci em Praga, portanto bilíngue”. Traduzir-se é sinônimo de
escrever para ele, que se auto-traduz, testando-se, em pelo menos quatro idiomas até chegar ao texto que será publicado. Se retradução e escrita se confundem, o objetivo de Flusser
é a poesia. Poesia como alargamento das possibilidades do olhar.
Interessado pelas potências da linguagem, no período que viveu no
Brasil, Vilém Flusser
entrou em contato com João Guimarães Rosa, cuja escrita revolucionaria o
pensamento ao introduzir “elementos estranhos” na estrutura do
discurso. Mas o tom do encontro não é apenas de enlevo. Se Flusser
referia-se a Rosa como vaidoso e dizia que mesmo as piores traduções de
sua obra o entusiasmavam, Guimarães Rosa confessava a Curt Mayer-Clason, seu tradutor para o alemão, que Flusser
lhe atribuía intenções sem cabimento e que estava “possuído por suas
próprias teses em matéria de língua e linguagem”. Esta comunicação se
volta para o legado desse diálogo, tenso e conflituoso, entre Vilém Flusser e João Guimarães Rosa.
10:30
Mesa-redonda
Simone
Homem de Mello (CGA): “A relação entre poesia e tradução na obra
poética de Augusto de Campos, Décio Pignatari e Haroldo de Campos; Orlando Grossegesse (Universidade do Minho): “Traduzir a Vanitas Mundi – tradição e afirmação da linguagem poética”; José Guilherme dos Santos Fernandes (UFPA): “Epopeia e transculturação em Nativo de câncer”.
Coordenação: Yuri Brunello (UFC)
Simone Homem de Mello é germanista com mestrado na Universität zu Köln
e doutoranda da PGET (Pós-Graduação em Estudos da Tradução da UFSC).
Traduz autores modernos e contemporâneos alemães e austríacos, como Arno
Holz, Peter Handke e Thomas Kling. Sua produção poética inclui Périplos (2005), Extravio marinho (2010) e Terminal, à escrita (2015) e os libretos de ópera Orpheus Kristall (2002), Keine Stille auβer der des Windes (2007) e UBU (2012).
Coordenou, de 2012 a 2014, o Centro de Referência Haroldo de Campos na
Casa das Rosas (São Paulo). Desde 2011, trabalha como coordenadora do
Centro de Estudos de Tradução Literária da Casa Guilherme de Almeida.
Resumo. A poética da tradução proveniente das reflexões programáticas do Grupo Noigandres
sobre linguagem e poesia teve rumos similares e singulares na obra
teórica e tradutória de seus três fundadores, Augusto de Campos, Décio
Pignatari e Haroldo de Campos. Esta comunicação pretende rastrear o
movimento inverso: o da repercussão de procedimentos tradutórios na
poesia dos três autores. Nesse contexto, a análise de conceitos como "intradução" (Augusto de Campos), "transluminura"
(Haroldo de Campos) e "poesia semiótica" (Décio Pignatari) esclarece
não apenas a forma de cada um incorporar a tradução à própria composição
poética, mas também seu modo específico de trabalhar com a tradição ou
com a convenção.
Orlando Grossegesse estudou Filologias Românicas e Comunicação Social na Ludwig-Maximilians-Universität
München. Em 1989, doutorou-se com uma tese sobre a relação entre
conversação e discurso literário na obra de Eça de Queiroz, publicada
sob o título Konversation und Roman (Stuttgart:
Franz Steiner, 1991). Em 1990, foi-lhe atribuída uma bolsa de
pós-doutoramento na Universidade de Coimbra, tornando-se, no fim do
mesmo ano, docente da Universidade do Minho, nas áreas de Literatura e
Cultura Alemãs (a partir de 2004: Professor Associado). Ensina e
investiga também nas áreas de Literatura Comparada e Portuguesa,
Tradução e Comunicação Multilíngue. Para além da dissertação, atas de
congressos (organizadas ou coorganizadas) e artigos em revistas, tem publicações em livro, sendo a mais relevante Saramago lesen (Berlin: edition tranvía
1998; 2ª ed. ampliada e atualizada 2009). Entre as suas traduções
literárias para o alemão encontram-se obras de Enrique Vila-Matas e de
Mário de Sá-Carneiro. É atualmente coordenador da linha de ação em
Ciências de Literatura no CEHUM / ILCH.
Resumo. Sob este título, abordaremos a tradução de poesia de mundividência
maneirista e barroca das línguas românicas para a língua alemã e no
sentido inverso. Exemplificaremos as questões nos eixos de sintagma
(morfossintaxe) e paradigma (léxico), com as respetivas figuras de
estilo, sem descurar a própria sonoridade, indo além de ritmo e rima, em
sonetos de Camões e Gryphius.
A abordagem procurará a contextualização histórica dos séculos XVI e
XVII: ao nível linguístico, a poesia escrita nas línguas românicas está
numa posição privilegiada, não só por continuar a tradição da literatura
latina mas também pelas próprias caraterísticas métricas e rimáticas
que se fazem valer numa forma tão artificial como o soneto. No caso da
poesia escrita em alemão, trata-se de afirmar a “aptidão” da língua
recém-estandardizada para a poesia. Com este pensamento político
subjacente à criatividade poética, há um verdadeiro desafio na procura
de emular, variar e, se possível, superar os modelos, adaptando-os às
caraterísticas diferentes de uma língua germânica, numa atividade
comparável à transcriação atual. Daí resultar um aspeto didático, em termos de prática e reflexão, do Traduzir a Vanitas Mundi.
José Guilherme dos Santos Fernandes tem doutorado em Letras pela UFPB e pós-doutorado em Educação Superior e Povos Indígenas pela UNTREF (Universidad Nacional De Tres De Febrero,
Buenos Aires). Atua nas seguintes linhas de pesquisa: estudos culturais
e cultura popular, estudos da oralidade, estudos de literatura da
Amazônia, estudos da narrativa, tradução e interculturalidade. Coordena o projeto de pesquisa Interculturalidade e Tradução em Narrativas da Modernidade na Amazônia: do século XIX à contemporaneidade (Procad/Casadinho – CNPq/CAPES). Integra a Red Educación Superior y Pueblos Indígenas en América Latina/CONICET (Argentina). É vice-coordenador do GT Literatura Oral e Popular da ANPOLL e Investigador Posdoctoral Visitante do Centro Interdisciplinario de Estudios Avanzados (CIEA), da UNTREF.
Resumo. Através do poema épico Nativo de câncer
(1960-1967), busca-se caracterizar traços de tradição clássica da
epopeia juntamente com elementos mais vinculados à cultura amazônica, em
perspectiva transculturadora,
nessa antológica obra do poeta paraense Ruy Guilherme Paranatinga
Barata (1920-1990). No objeto, serão referenciados estilo e temática
mediante o conceito de transculturação narrativa (RAMA, 2001),
considerando-se língua, estrutura literária e cosmovisão, como elementos
participantes do processo de tradução cultural.
15:00
Conferência
Marcelo Tápia (CGA): “Questões de equivalência em tradução de poesia antiga”
Coordenação: Luana Ferreira de Freitas (UFC)
Marcelo Tápia
é poeta, ensaísta, crítico e tradutor, graduado em Letras (Português e
Grego) pela USP e doutor em Teoria Literária e Literatura Comparada pela
mesma universidade. Tem publicado ensaios, criações originais e
traduções em diversos periódicos, acadêmicos e não- acadêmicos. Autor de
cinco livros de poemas, traduziu, entre outras obras, os romances Os passos perdidos (2008) e O reino deste mundo (2009), de Alejo Carpentier; é um dos organizadores do livro de ensaios Haroldo de Campos – Transcriação (2013). Dirige o museu Casa Guilherme de Almeida – Centro de Estudos de Tradução Literária, em São Paulo.
Resumo.
A tradução de poesia envolve questões sempre reiteradas sobre a
linguagem poética e sua especificidade, sobre a orientação tradutória e
as escolhas possíveis diante das características do texto original, tais
como a sua configuração rítmico-métrica. Valendo-se de uma breve
reflexão inicial sobre discussões genericamente associadas à recriação
poética, a comunicação abordará diferentes modos de adaptação de padrões
métricos clássicos para línguas modernas, particularmente para o
português, buscando examinar noções diversas de equivalência que regem
os referidos modos e os resultados por eles determinados.
16:00
Mesa-redonda
Guilherme Gontijo Flores (UFPR): “Traduzir mosaicos e canções de Horácio”; Susana Souto (UFAL): “Metamorfoses da leitura”;
Coordenador: Orlando Luiz Araujo (UFC)
Guilherme Gontijo Flores é professor de Língua e Literatura Latina na UFPR, tradutor e poeta. Lançou traduções de As janelas, seguidas de poemas em prosa franceses, de Rainer Maria Rilke (2009, Crisálida, em parceria com Bruno D’Abruzzo), A anatomia da melancolia, de Robert Burton (4 vols., 2011-2013, Editora UFPR, ganhadora dos Prêmios APCA e Jabuti na categoria tradução), Elegias de Sexto Propércio (2014, Autêntica) e da tradução coletiva a dez mãos do Paraíso Reconquistado, de John Milton (2014, Ed. de Cultura). No momento, prepara uma tradução das Odes de Horácio e uma edição do Paraíso Perdido de Milton traduzido por Bento Targini, além do livro Poesia homoerótica romana, que devem sair ao longo de 2015. Tem dois trabalhos de poesia publicados: o livro Brasa enganosa (2013, Patuá),finalista no prêmio Portugal Telecom, e o poema-site Tróiades, remix para o próximo milênio (www.troiades.com.br). É coeditor do Escamandro (www.escamandro.wordpress.com), uma revista-blog sobre poesia, tradução e crítica.
Resumo.
As Odes de Horácio são famosas por sua construção sintática complexa,
ao modo de um mosaico lexical capaz de operar efeitos complexos por
relações posicionais de dois ou mais termos; ao mesmo tempo, foram
escritas de modo a recriar a tradição da poesia cantada na Grécia
arcaica. O desafio do projeto, que pretendo apresentar com exemplos
práticos em latim e português, e que ocupou toda minha tese de
doutorado, finalizada em 2014, é a possibilidade de recriar esses dois
procedimentos numa tradução poética que resulte em poesia cantável
segundo uma importação de ritmos e modos estrangeiros, bem como numa
construção escrita capaz de tirar proveito de construções sintáticas
complexas.
Susana Souto possui
doutorado em Estudos Literários pela Universidade Federal de Alagoas
(2008), mestrado em Letras (Letras Clássicas) pela Universidade de São
Paulo (1999) e graduação em Letras Português Literaturas de Língua
Portuguesa pela Universidade Federal de Alagoas (1993). Trabalhou, de
1997 a 2005, na Universidade Católica de Brasília. Atualmente é
professora da Universidade Federal de Alagoas, onde atua na graduação e
na pós-graduação da Faculdade de Letras (FALE). Suas pesquisas abramgem
os seguintes temas: poéticas interartes, poesia brasileira
contemporânea, Glauco Mattoso, Clarice Lispector, leitura e circulação.
Resumo.
A poesia é onívora, devora temas, imagens, referências, em sua escrita,
que mobiliza uma vasta memória, como nos mostra a tradição poética de
língua portuguesa, desde Camões até a contemporaneidade. Nesse cardápio
extenso, um item continuamente se afirma como atual: a mitologia grega.
Este texto irá se deter em poemas nos quais a releitura do mito
articula-se à reflexão sobre o lugar do poeta e da poesia em nosso
mundo. Neles, são operadas metamorfoses em histórias e personagens
consagradas, como ocorre em “Legado”, de Carlos Drummond de Andrade,
poema do livro Claro enigma (1951), que retoma um Orfeu “a vagar,
taciturno, entre o talvez e o se”, e no “Soneto glauquiano [188]”, de Pauliceia ilhada (1999), livro do poeta paulistano Glauco Mattoso, que reelabora de modo paródico o (des)encontro
amoroso de Glauco e Cila. Esses dois poemas se aproximam pela forma
fixa que os configura, o soneto, a mais continuamente escrita na poesia
de língua portuguesa, e também pelo modo como ambos dialogam com a
narrativa mitológica e suas possibilidades de leitura. Como polos de
discussão teórica, retoma-se a reflexão sobre o mito proposta por
Vernant (1973) e ainda autores que abordaram a relação entre memória,
escrita e leitura (BAKHTIN, 1992; BRITTO, 2001; RICOEUR, 2007;
COMPAGNON, 1998; GAGNEBIN, 2006).
18:00
Performance Poético-musical
Martine Kunz (UFC): “Performance-cordel-rap” & José Guilherme dos Santos Fernandes (UFPA): “Música e poesia em Mário Barata”.
Coordenação: Orlando Luiz de Araújo (UFC)
Resumo. Reconhecidamente
inaugurador de uma composição musical moderna na Amazônia, a partir dos
anos 70, Ruy Barata (1920-1990) apresenta, em suas composições
musicais, o cotidiano, a história, os conflitos e tensões do amazônida, em mistura de ritmos de forte influência na região, como o bolero, o merengue, o carimbó
e a canção. Nesta apresentação, faremos um bosquejo cronológico pelas
composições do poeta, desde sua gênese simbolista até ao que Mário
Faustino (1930-1962) intitulou de poesia amazônica, pela musicalidade e
imagética impressa no vocabulário.
26/06//15
09:00
Conferência
Jim Marks (Iowa State University): “The Translator as Savior or Destroyer in the Odyssey”
Coordenação: Robert de Brose (UFC)
Jim Marks é professor do Department of World Languages and Culture da Iowa State University, Ames, USA. Foi professor na University of Texas at Austin, no período 2002-2004 e na Universitiy of Florida, no período 2004-2014. Entre 2002 e 2004, foi pesquisador pós-doutorando, através do programa Andrew Mellon Postdoctoral Fellowship in Classics, da University of Chicago, e, em 2012, foi aceito como fellow do Centrer for Helenic Studies (CHS/Harvard), em Washington, onde pesquisou a épica grega arcaica. Jim Marks publicou extensivamente sobre poesia homérica, com destaque para o seu livro de 2008, Zeus in the Odyssey (Harvard University Press/Center for Hellenic Studies), e para os capítulos "Tisis and Dike: the Role of Zeus in the Mnesterophonia." in Crime and Punishment in Homeric and Archaic Epic: proceedings of the 12th International Symposium on the Odyssey, Menelaos Christopoulos and Machi Paizi-Apostolopoulou, ed. Ithaca, Greece e "Arkhous Au Nêôn Ereô: A Programmatic Function of the Iliadic Catalogue of Ships." (in Homeric contexts: neoanalysis and the interpretation of oral poetry, Franco Montanari, Antonios Rengakos and Christos Tsagalis, ed. Berlin; Boston: De Gruyter,
pp. 101-114. Tem colaborado sistematicamente com programas de
pós-graduação da USP, UFMG, UFRJ e UFC, onde proferiu conferência
durante a Semana de Estudos Clássicos de 2012, produzindo um capítulo
intitulado “Pastoreando Gatos: Zeus, Os Outros Deuses, e a Trama Da
Ilíada” (Tradução de Robert de Brose. In: Identidade e Alteridade no Mundo Antigo. Robert de Brose, org. UFC: Núcleo de Cultura Clássica. 23-48, publicado no volume de trabalhos daquele evento).
Resumo. Any translation is of course also an interpretation: the translator must choose among a range of possible synonyms and syntactical arrangements in order to render a text into a new idiom. Further interpretation is necessary when the source text itself is multiform or suspect, for a single reading in the original language needs to be selected for translation into the new idiom. It is generally the task of the philologist to establish the text, which then serves as the substrate for the translation. Ambiguities are of course lost when the text comes before the translation in this manner, though, as anyone who has perused the ample apparatus criticus of a Greek New Testament will be aware, nearly all textual variants are trivial—the absence or presence of an article, placement of a conjunction and so on. On occasion, however, a single choice among readings can have far-reaching consequences for the exegesis of a text. This paper will discuss one such case, a notorious crux in the Greek text of Homer's Odyssey (13.158), for which three variants have ancient authority. According to two of these, the Phaiekes, a pleasant and peaceful people who have helped the hero Odysseus, are obliterated by the god Poseidon; according to the third, the god Zeus intervenes to prevent their destruction. I will first discuss the possible origins and implications of each of these readings in order to demonstrate that this textual ambiguity corresponds to tensions among powerful ancient Greek city-states. I will then survey choices made by translators through the ages and explore the possible significance of these choices in their particular historical and cultural contexts.
10h30
Mesa-redonda:Paulo Henriques Britto (PUC-Rio): “A tradução do verso livre”; Izabela Leal (UFPA, Belém): “É amargo o coração do poema”: procedimentos antropofágicos na poética herbertiana;
Coordenação: Marcelo Tápia (CGA)
Paulo Henriques Britto
possui graduação em Licenciatura em Língua Inglesa e Portuguesa pela
PUC-Rio e mestrado em Letras pela mesma instituição, de que é Professor
Associado e que lhe conferiu o título de Notório Saber. Traduziu cerca
de 100 livros do inglês para o português e 10 do português para o
português; entre os mais recentes estão: Bishop, Elizabeth. Duas
antologias de poesia e prosa, em 2012 e 2014 respectivamente; Auster,
Paul. Diário de inverno (2014); Gordimer, Nadine. O melhor tempo é o presente (2014); Pynchon, Thomas. Contra o dia (2012); Dickens, Charles. Grandes esperanças (2012); DeLillo, Don. Ponto ômega (2011); James, Henry. Outra volta do parafuso (2010); Swift, Jonathan. As viagens de Gulliver (2010); Roth, Philip. A humilhação (2010). É também poeta e contista, e entre sua obra própria estão os volumes Em liten sol i flickan. Antologia poética. Seleção, tradução e posfácio de Marcia Sá Cavalcante Schuback e Magnus William-Olsson. Wahlström & Widstrand, Estocolmo, 2015. Formas do nada (2012), 8º Prêmio Bravo! Bradesco Prime de Literatura, Melhor Livro; Tarde
(2007), Prêmio Alphonsus de Guimaraens, na categoria Poesia, concedido
pela Fundação Biblioteca Nacional, e Terceiro lugar, Prêmio Jabuti
(categoria Poesia); The Clean Shirt of It: poems of Paulo Henriques Britto (2007) — Antologia poética. Seleção e tradução de Idra Novey. Rochester, NY: BOA Editions; Macau
(2004), Primeiro lugar, Prêmio Portugal Telecom de Literatura
Brasileira, concedido pela Portugal Telecom, e Prêmio Alceu Amoroso Lima
– Poesia, concedido pelo Centro Alceu Amoroso Lima Para a Liberdade e a
Universidade Candido Mendes; Trovar claro (1997), Prêmio Alphonsus de Guimaraens na categoria Poesia, concedido pela Fundação Biblioteca Nacional; Mínima lírica (1989); Liturgia da matéria (1982); Paraísos artificiais
(2004), Segundo lugar, Prêmio Jabuti (categoria Contos e Crônicas).
Como ensaísta, publicou cerca de 35 trabalhos em periódicos acadêmicos,
principalmente sobre teoria da tradução, tradução de poesia, poesia e
versificação, e três livros: A tradução literária (2013), Prêmio Literário Fundação Biblioteca Nacional 2013, categoria Ensaio Literário; Claudia Roquette-Pinto (2010); Eu quero é botar meu bloco na rua, de Sérgio Sampaio (2009).
Resumo.
O termo “verso livre” abarca uma enorme variedade de formas poéticas. O
que elas têm em comum, quando praticadas por poetas competentes, é o
fato de utilizarem recursos do verso tradicional — sem a adoção de
esquemas formais tradicionais, como um contrato métrico e um padrão rímico
regular — ao lado de recursos próprios da forma específica escolhida,
como o contraponto entre verso sonoro e verso visual. Para traduzir de
modo satisfatório um poema em verso livre, o tradutor precisa, antes de
mais nada, identificar os dois tipos de recursos utilizados na
língua-fonte e tentar encontrar paralelos para cada um deles na língua-meta.
Izabela Leal
é professora de literatura portuguesa da Universidade Federal do Pará e
do Programa de Pós-Graduação em Letras (UFPA). É doutora em Letras pela
UFRJ, com tese sobre Herberto Helde,r e fez pós-doutorado com pesquisa voltada à tradução. Organizou o livro Tradução literária, a vertigem do próximo (com Ana Alencar e Caio Meira, 2011) e No horizonte do provisório: ensaios sobre tradução
(com Walter Carlos Costa e Mayara Guimarães, 2013). Tem textos em
várias revistas e periódicos da área de literatura e tradução.
Resumo. Na poética herbertiana a noção de antropofagia funciona como metáfora capaz de fornecer à atividade de criação uma imagem de assimilação corporal. É notável um processo de devoração,
de si próprio e do outro, que o autor chamou de “lirismo
antropofágico”. Por outro lado, uma certa “pulsão oral”, não
necessariamente antropofágica, atravessa a obra de Herberto Helder do
início ao fim, como se observa no título de seu primeiro livro, A colher na boca,
publicado em 1961. Proponho pensar a escrita como um trabalho de
revisitação, de incorporação do outro e de digestão das vozes com as
quais o poeta está em contato por meio de um gesto autoral que não pode
prescindir da leitura da própria obra e da obra alheia, incluindo nesse
caso a atividade de tradução. Trata-se de uma operação que põe em xeque
as dicotomias, revelando uma relação paradoxal de continuidade e
descontinuidade do tempo, de construção e destruição de textos alheios
em busca do texto próprio.
15:00
Conferência
Denise Merkle (Université de Moncton): “Patriotes et poètes, Léon Pamphile Le May et William Chapman, traducteurs de H. W. Longfellow : la légitimation et l'épanouissement d’une littérature nationale canadienne-française”
Coordenação: Walter Carlos Costa (UFSC/UFC)
Denise Merkle é professora da Université de Moncton (Nouveau-Brunswick, Canada). Ela pesquisa censura e tradução, tradução e minoria e o sujeito traduzinte. É membro da comissão editorial da revista TTR e do comitê científico da coleção Bloomsbury Advances in Translation. Coorganizou, com G. Lane-Mercier e R. Meylaerts, o número temático da revista Meta (59/3, 2014) « Traduction et plurilinguisme officiel/Translation and Official Multilingualism »; com M. Ali-Khodja, J. Morency e J.-F. Thibault, Territoires de l’interculturalité, publicado pela Presses de l’Université Laval, Québec, em 2013, et com C. O’Sullivan, L. van Doorslaer et M. Wolf, The Power of the Pen: Translation and Censorship in 19th-century Europe, publicado pela LIT Verlag, em Berlin e Viena, en 2010. Ademais, organizou os números da TTR : « Censure et traduction en deçà et au-delà du monde occidental/Censorship and Translation within and beyond the Western World », XXIII/2, publicado em 2010, e « Literary Translation Studies and Comparative Literature: points of convergence and divergence/Traductologie littéraire et littérature comparée : convergences et divergences », XXII/2, publicado em 2009. Entre suas publicações mais recentes, estão “Mehrsprachigkeit, Mischsprachigkeit et tensions identitaires dans le polysystème littéraire victorien en fin de siècle : les cas de Salomé d’Oscar Wilde et de Children of the Ghetto, A Study of a Peculiar People d’Israel Zangwill », Plurilinguisme 1900, que será publicada pela Peter Lang en 2015, « L’exécution de Louis David Riel (16 novembre 1885) et les enjeux de la traduction au Canada », L’Appel de l’étranger. Traduire en langue française en 1886 (L. Arnoux-Farnoux, Y. Chevrel & S. Humbert-Mougin, dirs., PU François-Rabelais, 2015), « February 1968: Acadian Activism and the Discontents of Translation », Translation Effects: The Making of Canadian Culture 1950-2000 (K. Mezei, S. Simon & L. von Flotow, dirs., McGill-Queen’s University Press, 2014), « Official Translation », Handbook of Translation Studies, vol. 4 (Y. Gamber & L. van Doorslaer, dirs., John Benjamins, 2013), « Canada : traduction, bilinguisme et bisystémisme », Histoire de la traduction en langue française, tome 19e siècle (Y. Chevrel & J.-Y. Masson, dirs., Verdier, 2012), « Censorship », The Translation Studies Handbook, vol 1 (Y. Gambier & L. van Doorslaer, dirs., John Benjamins, 2010), « Late-Victorian London. A Multilingual and Multicultural Mecca on the Isle of Great Britain », La traduction dans les contextes plurilingues (F. Mus & K. Vandemeulebrouke, dirs., avec la collaboration de L. D’hulst et R. Meylaerts, Artois Presses Université, 2011), « M. French Sheldon, Translator of Gustave Flaubert’s Salammbô. Transauthorship and the Mechanics of Censorship in late-Victorian Britain », The Power of the Pen (Merkle et al, dirs., Lit Verlag, 2010), « Secret Literary Societies in Late-Victorian Britain », Translation, Power and Resistance (M. Tymoczko, dir., University of Massachusetts Press, 2010), « Vizetelly & Co as (Ex)change Agent: Towards the Modernisation of the British Publishing Industry », Agents of Translation (J. Milton & P. Bandia, dirs., John Benjamins, 2009).
Resumo. Au XIXe siècle, les États-Unis et la colonie britannique au nord, qui deviendra le Canada en 1867, sont des jeunes pays. Toutefois, les États-Unis se considèrent, à cette époque, comme une nation. Cette dernière se crée une seule littérature nationale laquelle s’efforce à se distinguer de la littérature britannique. La situation identitaire de la colonie britannique, dont la langue anglaise est dominante sur le plan symbolique, est plus délicate, du fait que sa population canadienne-française jouit d’une certaine autonomie linguistique et culturelle. De fait, depuis la Conquête de 1759-1763 on parle d’une colonie bilingue et biculturelle. Il n’étonne pas que le républicanisme des voisins du Sud, et leurs aspirations nationales, fasse rêver bon nombre de poètes canadiens-français. Longfellow a signé des histoires épiques racontées en vers, dont l’Évangéline (1847), que Pamphile Le May publie dans son premier recueil, Essais poétiques (1865). C’est la seule traduction publiée dans le volume; il n’empêche qu’il le retraduit deux fois. Mais Longfellow a également écrit de plus courts poèmes. Si Joseph Lenoir a produit « La fenêtre ouverte » [« The Open Window »] en 1858, Chapman écrit d’abord un sonnet en hommage à Longfellow (1874) et ensuite traduit en français six de ses poèmes (1876) qui sont publiés dans Québecquoises (1876), le premier recueil du poète canadien-français. Le poète américain et ses traducteurs canadiens-français ont puisé leur inspiration dans les grands espaces sauvages, la spiritualité chrétienne et les héros locaux afin de participer à la légitimation et à l’épanouissement à une littérature nationale respective. Autant Longfellow que Chapman et Le May se réclament de la riche tradition littéraire européenne tout en imprégnant leurs œuvres de couleurs locales pour souligner leur spécificité nationale respective. Le romantisme permet aux poètes d’explorer le thème primordial qu’est la nature édénique du Nouveau Monde et a un lien très fort avec l’idée de nationalisme, selon lequel la littérature est perçue comme la preuve de l’existence d’une ethnie distincte et accomplie. Cette conférence présentera surtout des extraits des traductions produites par Le May et Chapman des poèmes de Longfellow, toutefois sans oublier Lenoir, afin de déterminer si ces poètes canadiens-français ont considéré la création poétique de Longfellow comme un exemple de littérature produite par une grande culture prestigieuse qui allait valoriser la création poétique d’une petite culture opprimée.
17:00
Encerramento: performance poético-musical
Encerramento do evento: Rafael Ferreira da Silva (UFC)
COMISSÃO ORGANIZADORA
Fabiano Seixas Fernandes
Luana Ferreira de Freitas
Nathan Matos Magallhães
Orlando Luiz de Araújo
Robert de Brose
Walter Carlos Costa
COMISSÃO DE MONITORES
Camila Araújo da Silva
Fernando Cavalcante Lima Filho
Hellaíny Fernandes Ribeiro
Italo Americo Girão
Alex Costa
José Roberto Fraga Barros
COMITÊ CIENTÍFICO
Artur de Almeida Ataíde (PGET/UFSC)
Marcelo Jacques de Moraes (UFRJ)
Mauricio Santana Dias (USP)
APOIO:
CAPES
FUNCAP
LITERATURA.BR
Grupo de Pesquisa CNPq Estudos Literários da Tradução
Grupo de Pesquisa CNPq Tradução e Recepção dos Clássicos